Desatolamento Off-road

Primeira experiência com desatolamento.

Depois da rica experiência em Jericoacoara-CE, rumamos para os lençois maranhenses, seguindo a rota das emoções, o que implicava em passar pelo Delta do Parnaíba.

Apesar da pesquisa que havíamos feito, foi conversando com pessoas, ainda em Tereseina, que descobrimos sobre o Delta. Havia dois caminhos que ligavam Jericoacoara ao Delta, um deles pela estrada e o outro pela areia das praias e dunas. Optamos ir pela areia, principalmente pelo visual, mas também pela economia de kilometragem. Escolha errada. Fomos seguindo as instruções que havíamos colhido com pescadores e pessoas locais, até que em determinado ponto, quando estávamos nos sentindo perdidos, resolvemos seguir uma chevrolet montana vermelha, afinal era um local levando dois turistas na caçamba, e que numa rápida troca de palavras nos disse que estava seguindo no sentido do Delta.

Estávamos mais confortáveis até entrarmos nas Dunas. Apesar do nosso carro estar preparado para situações adversas, com aproximadamente 3 ton. não é o carro mais indicado para esse tipo de terreno. O guia acelerava a pick up vermelha de uma forma que ás vezes tínhamos que alterar o traçado para poder acompanhá-lo. Numa dessas mudanças, acabamos ficando com o carro atolado, ligeiramente inclinado, num monte de areia. O carro que seguíamos sumiu com a nuvem de areia a nossa frente. Sem a quem socorrer, optamos por ligar a ré, e fazendo peso em um dos lados do carro, conseguimos sair dali. Ufa, tinha passado o primeiro susto, o primeiro, pois tinha mais por vir. Logo que saimos, nos deparamos com dunas ainda maiores.

No meio daquele deserto de areia e sol escaldante das 12:00, tínhamos que sair de lá, só não sabíamos como. Em função das marcas de pneus conseguimos descobrir o trajeto que os carros seguiam. De volta a Tanajura, tração nas 4 rodas ligada, começamos a andar pelas dunas. Porém, logo quando terminamos a subida havia um verdadeiro penhasco de areia.

Ao avistarmos, tudo o que nos restou fazer foi pisar no freio e deixar o carro atolar mais uma vez. Só que dessa vez a altura e a inclinação eram maiores, e pior, a roda dianteira esquerda já tinha “iniciado a descida”. A sensação era de que o carro estava num penhasco, prestes a rolar a qualquer momento. Fora do carro, sem saber o que fazer, estávamos em desespero. Durante aproximadamente 30 minutos ficamos discutindo, pensando em alternativas e soluções para resolver aquela situação. E que situação. Pensamos em cavar um buraco, jogar o step e tracionar com o guincho, pensamos em ligar a reduzida e sair de frente, ou mais uma vez tentar a marcha ré.

Ninguém se sentia confiante para nenhuma ação. Para nossa sorte, um dos bugueiros locais que estava retornando para Jericoacoara, nos encontrou e junto com seu amigo, nos disse algumas possiveis saídas, passando um pouco mais de confiança. Depois de 20 minutos esvaziando a caçamba para retirar as pranchas de desatolamento e cavando buracos para assentar o lado direito do nosso carro, estávamos prontos para ligar a Tanajura e tirá-lo dali. A orientação dada pelos bugueiros era de que usássemos a marcha ré. Dito e feito. Assim que os pneus tocaram na prancha de desatolamento, que continha um pouco de areia para dar mais aderência, a Tana estava de volta, com as 4 rodas no mesmo nível. Um verdadeiro alívio. Depois de passado os susto, dali seguimos caminho para o Delta, dessa vez pagando R$20,00 para um guia. Mas essa etapa da nossa expedição, que serviu como um grande aprendizado, continua nas nossas memórias e, ocasionalmente está nas nossas conversas.