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Indo de Belém à Manaus de navio!

Quando decidimos cruzar as Américas de carro, tínhamos uma certeza que para muitos poderia parecer contraditória: nem todos dentre os mais de 70 mil km que pensávamos em percorrer seria de carro.

Algumas escolhas sobre quais caminhos percorrer teriam que ser baseadas em informações que colheríamos ao longo do caminho e na nossa sensibilidade do risco que estaríamos nos submetendo.

No dia 5 de Julho, pela primeira vez nessa viagem, entrávamos na região Norte: chegávamos  a Belém. Mas, além de visitar aquela bela cidade nos confrontaríamos com nossa primeira decisão de como chegar no próximo destino: Manaus. No nosso planejamento desenhado antes da viagem, iríamos de Belém à Santarém, com a Tanajura, e de Santarém seguiríamos para Manaus de navio. Nossa ideia era enfrentar a famosa Transamazônica, passar por Altamira para observar os primeiros impactos de Belo Monte na cidade e ficar alguns dias em Santarém – segunda maior cidade do Pará. Para tanto, seriam mais de 1.400 km percorridos no total, sendo a maior parte na BR-230 (a Transamazônica) que em quase sua totalidade não é asfaltada.

Nos encontrávamos numa encruzilhada. Se por um lado tínhamos o desejo de conhecer essas cidades e de “experimentar” os desafios da Transamazônica, por outro não nos sentíamos totalmente seguros em cruzá-la somente com as informações que tínhamos. Haveríamos, então, de ir atrás de maiores detalhes das condições da estrada nesse período e analisar os prós e contras entre seguir de carro ou optar pela ida de navio pelos rios da região.

Após visitar diversos pontos turísticos em Belém, dedicamos os dias posteriores a conversas e pesquisas. Por sermos em 5 sabíamos que dificilmente a decisão final seria unânime.  Conversando com caminhoneiros e cidadãos locais, muitos nos desencorajavam a pegar a estrada. Procuramos também falar com o pessoal do Jeep Clube do Pará que muito bem nos recebeu. E após longa conversa, diferente das conversas anteriores, fortemente nos encorajaram a cruzar a Transamazônica, pois recentemente um grupo do Jeep Clube havia feito o trajeto.

A decisão estava cada vez mais difícil. Fomos então analisar as opções de navio, que também não eram simples. Os navios não saiam com grande frequência e somente em alguns deles poderíamos embarcar a Tanajura. Dessa forma, embarcarmos em um navio em que pudéssemos levar a Tanajura junto, nos obrigaria a ficarmos uns dias a mais em Belém. Custos, riscos, benefícios e tempo de viagem analisados, ainda não tínhamos um consenso sobre a decisão. Logo, como na maioria dos casos como esse, era hora de votar. Com 4 votos contra 1 decidimos ir de navio!

Foi uma experiência intensa e absolutamente diferente de tudo o que já havíamos vivenciado. Foram 6 dias dormindo em rede, dividindo banheiro com mais de 100 homens, comendo em horários mais cedo do que estávamos acostumados, ouvindo músicas regionais o tempo todo e podendo interagir com pessoas de diferentes localidades, idades, classes sociais, histórias de vida e com perspectivas de vidas diversas. Sem falar no surpreendente visual da Amazônia que pode ser contemplado o dia todo de dentro do barco, onde a mata toca o rio e todas as manhãs pássaros e botos dão um “bom dia” próximos ao navio.

Até o próximo post!