4x11 Off-road

Combustível com água, que dor de cabeça!

Estávamos na Venezeula, já tínhamos cruzado a fronteira e nos surpreendido com o combustível praticamente de graça. Colocamos 60 litros de Diesel e pagamos apenas $2.90 bolívares, o equivalente a 65 centavos de real. Incrível. Depois de rodar quase 400km, foi necessário abastecer novamente e encontrar um posto não é tão simples perto da fronteira na Venezuela. Sempre com muita fila e vários militares fiscalizando, fomos até um deles para avisar que estávamos de passagem, e assim não era necessário esperar na fila. Ele nos passou na frente e mais uma vez enchemos o tanque por uma pechincha. Só que 10km mais tarde, uma luz acenderia no painel. Olhar no manual foi só para protocolar o que já desconfiávamos. Era uma mensagem de água no filtro de combustível. Decidimos que encostaríamos assim que encontrássemos um lugar com mais estrutura. Não foi possível. O acelerador não funcionava mais e fomos obrigados a enconstar no jardim de uma pequena casinha que se encontrava na beira da estrada. Com a ajuda do manual, fizemos a sangria do filtro. Porém de nada adiantou, afinal o tanque estava cheio. Até tentamos tirar todo o combustível do tanque, mas sem sucesso. Resolvemos pedir ajuda para levar nosso carro de volta a cidadezinha que havíamos abastecido o carro. Conseguimos parar um venezuelano que dirigia uma F250. Para puxar a Tanajura, nós usamos uma fita de 20m de comprimento e capacidade de carga de 5ton, que fazia parte do kit de resgate da Irnoman. O trajeto até a cidade foi um pouco desafiador, pois haviam várias curvas e o venezuelano estava com um pouco de pressa. Usando apenas o freio de mão, pois o carro já não dava mais partida, chegamos de volta a cidade depois de alguns trancos na fita. Ao chegar no posto, demos para o motorista venezuelano, como forma de agradecimento, uma caixa de chocolate garoto, afinal lá eles gostam bastante desse chocolate.

Reclamar no posto sobre o combustível foi em vão. Disseram que o combustível estava normal e que tínhamos dado azar. Empurramos a Tanajura até o mecânico que ficava a uns 100m do posto. Chegando lá, explicamos a situação e e ele logo iniciou o trabalho. Eram 2 trabalhando no nosso carro. Começaram sifonando o combustível do tanque. Depois arrancaram o tanque por baixo, coisa que para nós, trilheiros de primeira viagem, era novo. Depois de secar completamente o tanque por dentro, passamos para a sangria do filtro de combustível, processo esse que conhecíamos. Por último, testamos os bicos injetores um a um. Vimos sair água de todos esses três processos. Depois de retirado toda a água, fomos até o posto novamente para pegar combustível, mas desse vez fizemos um teste visual com a ajuda do própria mecânico para garantir que não teríamos mais “surpresinhas”. Foram 4 horas de espera e 600 bolívares de gasto (R$133,33) para termos a Tanajura funcionando novamente.