chopp Editorial

Desce uma dose de bom senso aí, garçom!

Desde que a chamada “Lei Seca” no trânsito entrou em vigor, não se ouvia falar tanto sobre os problemas de beber e dirigir como nos últimos meses. Superesportivos envolvidos em acidentes trágicos, famosos com carteiras apreendidas e várias notícias alarmantes sobre os números de pessoas embriagadas na direção.

Para você ter uma ideia, em 2011, a quantidade de motoristas que recusou o bafômetro em São Paulo já superou o do ano passado. Os dados da capital paulista também mostram que a quantidade de álcool ingerida antes de dirigir está ficando cada vez maior entre os motoristas.

Infelizmente, é algo comum no país beber e dirigir. Para muita gente, sair sem o carro é meio absurdo. Para não deixar a caranga na garagem, dão as mais variadas justificativas: a falta de transporte público na madrugada, o preço alto do táxi, a violência nas ruas…

Um lado cultural também tem forte apelo nessa discussão sobre bebida. Quem nunca ouviu um amigo– ou até você – falar que “dirige melhor bêbado”. Tem também aquele que afirma que “toma mais cuidado quando dirige depois de beber, vai mais devagar”. Bem, se fosse verdade, os pilotos de corrida tomariam três doses de vodca antes de uma corrida. A ciência já cansou de mostrar que o álcool deixa os reflexos lentos, a visão afetada e o tempo de resposta para frear o carro aumenta.

Alguns preferem buscar uma brecha na lei para dirigir embriagados sem sofrer punição. São aqueles que recusam o teste do bafômetro. Parece o crime perfeito: você pode até perder a carteira, mas evita um processo criminal na Justiça. Esse tipo de pensamento mostra como ainda falta conscientização sobre o risco de dirigir bêbado. O jeitinho brasileiro de recusar o bafômetro não resolve o problema do risco no trânsito.

“Ah, mas eu tenho resistência à bebida. Tem gente que bebe uma cerveja e fica torto. Eu preciso de várias para me afetar. É um absurdo eu usar o bafômetro se bebi pouco”, dizem os defensores da prática. Neste caso, imagine a seguinte situação. Você tomou três chopes, pegou seu carro e dirigiu impecavelmente, sem cometer nenhuma imprudência. No entanto, no caminho, um outro motorista fez uma bobagem e bateu em você. A polícia chega ao local do acidente e pede para os envolvidos assoprarem o bafômetro. Como você vai conseguir provar que não teve culpa na batida se tiver álcool em seu sangue?

Mudança de hábitos (sem mudança de drinques)
Vamos ser sinceros, mudar uma rotina nunca é fácil. Principalmente se for para algo mais caro ou difícil de fazer. Deixar o carro na garagem para ir à balada de táxi, com piloto da vez ou de metrô não é fácil. Mas experimente algumas vezes sair sem dirigir. Veja como você pode ficar mais tranquilo e curtir a noite sem medo. Com o tempo, isso vai virar um hábito em sua vida e você começará a achar absurda a ideia de beber e depois dirigir.