wally Editorial

Nossas escolhas quando criança e o quanto mudamos

Dizem que um ser humano quase não muda muito no decorrer da sua vida. Outros muitos ainda rejeitam essas mudanças, sejam elas pensamentos, hábitos ou mesmo gostos.

Para muitos, a palavra “mudança” traz consigo algo negativo que leva o outro interpretar como que estávamos errados antes, mudamos e agora estamos no caminho certo.

Pessoas dificilmente mudam de time ou de religião, por exemplo. Mas para mim, mudança não significa necessariamente “estar errado” e sim, “evoluir, amadurecer”.

Mas sinto informar aos mais tradicionais que mudamos sim, e muito! Sem perceber, vamos mudando de pouco em pouco, para muito melhor. Evoluindo. Crescendo. Escolhendo. Vamos descobrindo aos poucos as maravilhas do mundo em que vivemos assim. Nossa vida é feita das escolhas que fazemos e que ditam quem somos nós. Se não optássemos por algo diferente do que o outro, seríamos todos iguais.

Quando crianças, nós não queríamos mudar ou ser diferente dos nossos amigos, queríamos mostrar o quão iguais nós éramos e por esse motivo que viramos “melhores amigos”. Procurávamos o conforto de nos sentirmos aceitos, sem ter que provar ao outro que as nossas diferenças somavam e não atrapalhavam.

Era uma forma simples e prática de escolher. E se você olhar para trás, irá perceber como as “modinhas” pegavam super forte na escola. Roupas, sapatos, bijuterias, brinquedos, música, ídolos. Nós compartilhávamos quase o mesmo gosto e isso era demais.

Todas essas coisas em comum nos faziam sentir parte de uma mesma tribo e as lembranças são compartilhadas por toda a nossa geração. Quem cresceu na década de 90 e não fica nostálgico quando vê um Tazo antigo ou ouve o tema principal de “O Rei Leão”? A moda dos clubbers, de ouvir Backstreet Boys e Spice Girls, de assistir Caverna do Dragão e Doug Funnie, de colar esparadrapo na mochila de ursinho de pelúcia ou no Keds, de usar New Balance e bater figurinha do álbum da Copa.

No decorrer do nosso crescimento, vamos percebendo que temos escolhas e escolhendo conforme os nossos gostos pessoais. Vamos percebendo que podemos escolher algo diferente do que nossos amigos. Evoluímos nossos gostos, personalizando nós mesmos e amadurecemos.

Nossas escolhas vão nos deixando mais e mais diferentes dos nossos amigos de infância e adolescência. No começo tínhamos tudo em comum, agora já não, parece que não temos nada em comum. Porém, diferente de quando somos crianças, agora, nossas diferenças somam e admiramos o próximos exatamente por elas.

Das minhas melhores amigas de infância uma se tornou médica, outra arquiteta, outra fashion designer, outra cineasta. Acho isso fantástico e admiro cada uma delas por isso. Isso não seria possível se não percebêssemos que também era bacana ser diferente e moldarmos nosso próprio caminho.

Mas ao mesmo tempo, sermos iguais quando crianças, além de confortável, gerou um eterno laço por meio de recordações e ícones próprios da nossa época e turminha. Aquela nostalgia gostosa de lembrar da nossa infância, das atividades na escola e nos sábados, de encontrar no maleiro um brinquedo que era um hit no colégio e poder recordar direitinho o momento.

Como eu disse anteriormente: nós mudamos. Eu quando criança, por exemplo, adorava viajar (calma, eu ainda adoro!), mas minha ansiedade por chegar no local não me deixava curtir o trajeto. Atormentava meus pais com a frase “Estamos chegando?” e “Ainda está longe?” a cada 15 minutos (ou menos). Interessante também que essa pergunta é digna de criança.

Mesmo não tendo nenhuma outra criança no carro, seu instinto curioso e a ansiedade fazem as crianças perguntarem exatamente a mesma coisa aos seus pais! Os pais desesperados, procuram arrumar algo para as crianças fazerem no decorrer do caminho: quer comer, brincar, ouvir música, contar quantos fuscas você vê?

Assim, era minha primeira viagem de avião e eu estava viajando para a Disney, então você já pode imaginar minha ansiedade! Nove horas de viagem? Para uma criança, isso é praticamente uma vida. Meus pais, já imaginando o tormento que a filha espoleta seria no avião, sem saber se o avião em si seria distração suficiente para aguentar a ansiedade em ver o Mickey ou se precisariam de um outro plano infalível.

Eu viajava com meus pais e com os amigos dos meus pais. Esse outro casal tinha uma filha da minha idade e que estava se tornando minha amiga. Mas para se tornar amigas nós precisávamos de mais coisas em comuns além de “nossos pais são amigos”. Foi quando, ainda no aeroporto, eu vi que ela estava carregando um livro do “Onde Está Wally?”.

Naquela hora, eu nem sabia direito o teor do conteúdo do livro, mas logo depois de convencer meus pais a comprarem o tal do “Wally”, já tinha certeza de que aquele seria um dos livros mais especiais e marcantes. Com Wally, as longas horas de viagem passaram rapidinho, sem eu ao menos perceber. “Onde Está Wally?” marcou o início de uma nova amizade, a expectativa da minha primeira viagem de avião, minha ida para a Disney, e claro, o alívio dos meus pais que não precisavam mais arrumar coisas para eu me entreter durante o trajeto.

Até hoje, viajo com meu Wally (conhecido nos Estados Unidos como Waldo!), mas não prego meus olhos no livro durante todo o percurso como antes. Hoje aprendi que o percurso também faz parte da viagem e tento aproveitá-lo também ao máximo, mas sem me esquecer dos objetos, momentos e escolhas que me levaram até ali. Sem me esquecer do Wally.

Semana passada foi “Dia das Crianças”, mas você pode relembrar a sua infância brincando ao estilo do Wally com a DPaschoal. Além de se divertir nessa caça ao tesouro, você poderá levar para casa alguns presentes especiais.

Aproveite e compartilhe aqui sua história pessoal com “Onde Está Wally”? Ou quais outros objetos da sua infância te uniam com a sua turma de amigos?