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Quais os limites da digitalização humana?

Conforme avançamos com tecnologia, nos sentimos mais e mais dependentes das nossas máquinas favoritas. Computadores, carros, videogames, tablets, iPhones são utilitários que se tornaram fundamental no nosso dia-a-dia. Mais do que parte da nossa família, muitas vezes, não conseguimos sequer sair de casa sem eles.

Você já esqueceu o celular em casa e se sentiu completamente perdido durante o resto do dia? E se eu precisar falar com alguém? E se alguém me ligar? Como vou checar meu e-mail, enviar um tweet, dar check-in em um lugar?

Em Nova York está acontecendo a exposição sobre comunicação entre objetos e pessoas “Talk to Me” no MoMA, o museu de arte moderna da cidade. Durante a exposição, tive contato com um experimento chamado “Avatar Machine”, criado pelo britânico Marc Owens.

Para entender como o experimento funciona vamos definir o que é o “avatar”. Um avatar é um personagem digital, muitas vezes ele é vivido numa perspectiva em terceira pessoa: o jogador o controla, mas ao mesmo tempo vê o personagem como se estivesse o seguindo a poucos metros atrás. Assim, o “Avatar Machine” é um como uma grande fantasia de avatar com uma câmera na parte traseira, que simula a experiência de jogos em terceira pessoa no espaço real.

 

Durante os testes do “Avatar Machine” em locais públicos, Owens observou que alguns usuários trouxeram comportamentos que possuem durante o jogo para a vida real, dando passos maiores e balançando demasiadamente os braços.

Isso me fez pensar sobre a influência desses aparatos tecnológicos não apenas em quando precisamos deles para executar aquela determinada função ao qual foram programados, mas também na influência que eles exercem em nosso comportamento mundano.

Por exemplo, quando estamos jogando um jogo de corrida no videogame e, mesmo com um controle convencional, viramos a mão e o corpo como se estivéssemos guiando um volante e desviando! Você já se deparou fazendo isso? E já tentou não fazer mais quando se dá conta do movimento? Parece quase que incontrolável não virar o corpo na vida real, mesmo tendo consciência de que se trata de um videogame. O movimento vira intuitivo. Talvez a ideia para a criação do Nintendo Wii e do Kinect tenha nascido aí…

Mesmo quando estamos dirigindo um carro – agora na vida real – e nos perdemos em pensamentos indo do trabalho para o dentista (ou qualquer outro lugar). Quando nos damos conta do mundo real a nossa volta, estamos inconscientemente fazendo o caminho de casa! Estamos tão habituados a seguir diariamente aquele mesmo caminho que parece que o carro também sabe onde estamos indo e continua seguindo. Ele se tornou uma pequena extensão do nosso corpo.

Estamos tão habituados às máquinas que estamos nos tornando elas sem perceber. O carro passa a ser uma extensão do nosso corpo, assim como o controle do videogame. O Avatar Machine determina como vamos nos mexer. É estranho saber que estamos nos conectando dessa maneira intensa com nossos gadgets, mas por outro lado é absolutamente incrível. O mundo de possibilidades que se abre é imenso e só o futuro nos dirá os limites dessas novas conexões.